In Honorem Benedicti XVI


Joseph Aloisius Ratzinger, o Santo Padre Benedictus XVI, foi, sem dúvida alguma, o maior teólogo de nossa era. Eu, como já sabido pela minha posição intelectual defendida, sou espiritualizado e não religioso dogmático, mas tenho um forte laço com a Sancta Romana Catholica et Apostolica Ecclesia e, se fosse um de seus fieís, descrever-me-ia como um ratzingeriano.

Infelizmente, Ratzinger foi muito perseguido pela imprensa durante seu papado; muito se deve aos escândalos que há décadas estavam sendo segurados e a bomba estourou em suas mãos. Mas meu foco aqui é demonstrar meu solene respeito a um dos meus maiores mentores: a faceta do teólogo Ratzinger, o cooperador da verdade.

Podemos definir suas visões através de três pontos. O primeiro é o amor divino, a onibenevolência do Criador, que é mostrada em sua encíclica "Deus Caritas Est". Citando uma frase da própria santidade:

"Si dejamos que el amor de Cristo cambie nuestros corazones, entonces nosotros podemos cambiar el mundo".

Esta citação mostra como Ratzinger cria na benevolência divina, mas delimitava a responsabilidade de ação a nós. Ele defendia que a relação com o divino é personalista, que Deus, ao se revelar, não apenas nos ensina algo, mas se automanifesta, ou seja, dá a conhecer um Alguém com um Nome; a revelação é relação. Em outros termos, Deus é nomeável, apelável e invocável; não um ser indiferente vivendo além do abismo intransponível que o homem nunca poderia atravessar, mas, sim, tendo uma relação paternal e de amor incondicional com cada uma de suas criações.

O segundo e mais basilar fundamento de sua visão é a Teologia Fundamental e a interseção entre fé e razão. A Teologia Fundamental nada mais é que o estudo das relações e conexões entre fé e razão, além da busca em compreender a reação da colisão da teologia com a filosofia e a ciência. O que também se refletia em uma busca ainda mais específica de sua obra, que é a da epistemologia teológica. Conceito este que podemos definir como o estudo das condições para uma possibilidade que seja simultaneamente científica e eclesial, buscando compreender a natureza de Deus. Para o teólogo alemão, a fé sem razão é dogmatismo cego, e a razão sem fé é fria, abstrata e cínica. Em outras palavras, Ratzinger nos convidava a exercer a razão dentro de nossa fé, mas sem que nos contentemos com menos que Cristo.

E o terceiro e último pilar é o ecumenismo. Ratzinger defendia o diálogo inter-religioso e a união em prol do respeito mútuo, mas não permitia que a Igreja distorcesse suas bases milenares para tal fim; era um conservador em seus moldes mais puros e iluminados: o de conservar as bases, mas construindo progresso dentro de seus alicerces e limites.

Em 31 de dezembro de 2022, Bento XVI encontrou seu descanso eterno ao lado do Pai e nos deixou como herança seu exemplo de humildade, fé e um dos mais ricos legados intelectuais da Igreja Católica. Será lembrado como alguém que nos ensinou a nadar contra a corrente e que nos recordou que, mesmo entre sombras e esperanças, podemos caminhar com confiança, pois Deus é amor. Portanto, hoje, 28 de fevereiro de 2026, completam-se 13 anos de sua renúncia ao papado; tomemos como solenidade respeitosa o exercício de honrar seu legado através da compreensão de suas ideias e obras.

por Ryan Correia Mainart

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Referências e recomendações de leitura acerca do tema:

I. Deus Caritas Est - Bento XVI, 25 de dezembro de 2005; Disponível em: encíclica.

II.  O Deus da Fé e o Deus dos Filósofos - Joseph Ratzinger (1959);

III. Caritas in Veritate - Bento XVI, 29 de junho de 2009; Disponível em: encíclica.

IV. Biografia de  sua santidade Bento XVI; Disponível em: biografia.

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