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República Dominicana: Do ferro e fogo trujillista ao frescor técnico caribenho

A América Latina da metade do século passado foi, indubitavelmente, um verdadeiro caos generalizado: ditaduras e golpes em cada canto, caudilhos viciados no poder, um caos sem precedentes. Mas, quando focalizamos nossa visão especificamente no Caribe, algo é perceptível entre a terra arrasada do socialismo cubano e o narco-estado absolutamente libanizado, portador de um IDH serra-leonino, que é o Haiti. Há, ali ao lado, a República Dominicana, erigida sob a honra do nome de São Domingos de Gusmão, o frade fundador da ordem dominicana aprovada pelo Papa Honório III em 1216. A priori, vamos fazer um trajeto acerca da fascinante história recente dessas terras. Após 31 anos da sangrenta ditadura de Rafael Trujillo e o retorno democrático, surgem duas figuras que marcam o século XX dominicano de forma estrondosa. O primeiro deles é Juan Bosch, fundador do movimento esquerdista PRD (Partido Revolucionário Dominicano), que governou brevemente antes de ser deposto em 1963. Bosch era profundame...

Uma breve tese acerca da natureza política, social e das instituições

Há algum tempo venho me interessado em compreender melhor os mecanismos sociopolíticos, estudando profundamente a história política de diversas nações e posições ideológicas distintas, cheguei às minhas conclusões, e então refletindo como denominar e definir minhas posições filosóficas nos âmbitos político, econômico, social e institucional. Creio que a melhor forma de definir minha cosmovisão seja Tecno-Pragmatismo Liberal ou Liberalismo de Resultados. Fragmentando-a em três blocos principais: (I) economia, (II) costumes e aspectos sociais, e (III) funcionamento das instituições; partindo desta divisão, tecerei minhas teses acerca de cada um. A princípio, posso definir minhas visões econômicas como liberais e técnicas. Não vejo a economia como um campo de especulação; é algo exato e de resultados, sem espaço para a aplicação de práticas aventureiras ideológicas. Portanto, firmo-me nos alicerces do livre mercado, da meritocracia, da defesa da propriedade privada e da gestão institucion...

Uma breve história da luta brasileira contra a ineficiência fiscal

O Brasil, há tempos, vem sendo amordaçado pelo populismo, o que nos gera uma situação insalubre de duradouro "pão e circo", gastos estratosféricos e pajelança econômica em tempos de bons ventos. Mas sabemos que, quando a conta chega, quem dá o amargo remédio da recuperação fiscal, agindo como o adulto da sala, é aquele que vem como emissário de um rigor técnico e tem fibra para se sacrificar politicamente em prol de medidas que trarão melhoria na recuperação e no longo prazo. Como solene forma de honrar os obscurecidos pela impopularidade de seus feitos, venho aqui reiterar seus legados, que são parte dos respiros que nossa nação teve. Após anos de hiperinflação desde os tempos do estatismo de Vargas e JK, amplificada de forma exacerbada no modelo burocrático e de obesidade estatal crescente dos militares, a inflação era um parasita que estava prestes a implodir a nação. E quem nos trouxe a recuperação deste período foi a brilhante e íntegra figura que representa o que Minas ...

Brasil: O curioso caso do país sem direita

 A história política do nosso país é, afinal, confusa além da conta. Curiosamente, o único partido com ideias liberais em seu sentido mais puro foi o Partido Liberal vigente nos tempos do Império, os conhecidos luzias. Posteriormente, o máximo que tivemos foi a UDN, que, pelo menos em âmbitos econômicos, era realmente liberal. Durante a Era Vargas, vivemos o apogeu do estatismo à la fascismo de Getúlio, inclusive com a CLT sendo sua cópia da Carta del Lavoro , ainda mais inchada e regulatória. Com o advento da instauração dos militares no poder em 1964, em prol da defesa perante a "ameaça comunista", o que curiosamente os militares foram muito mais estatizantes e keynesianos que Vargas e Jango somados. O Regime Militar foi o último prego no caixão de uma embrionária direita brasileira. Os militares nunca foram de direita, nem liberais, nem conservadores; o único elemento "direitista" em seu modelo foi o anticomunismo. Na prática, foram positivistas tecnocráticos e...

In Honorem Benedicti XVI

Joseph Aloisius Ratzinger, o Santo Padre Benedictus XVI , foi, sem dúvida alguma, o maior teólogo de nossa era. Eu, como já sabido pela minha posição intelectual defendida, sou espiritualizado e não religioso dogmático , mas tenho um forte laço com a Sancta Romana Catholica et Apostolica Ecclesia e, se fosse um de seus fieís, descrever-me-ia como um ratzingeriano. Infelizmente, Ratzinger foi muito perseguido pela imprensa durante seu papado; muito se deve aos escândalos que há décadas estavam sendo segurados e a bomba estourou em suas mãos. Mas meu foco aqui é demonstrar meu solene respeito a um dos meus maiores mentores: a faceta do teólogo Ratzinger, o cooperador da verdade. Podemos definir suas visões através de três pontos. O primeiro é o amor divino, a onibenevolência do Criador, que é mostrada em sua encíclica "Deus Caritas Est". Citando uma frase da própria santidade: "Si dejamos que el amor de Cristo cambie nuestros corazones, entonces nosotros podemos cambi...